quinta-feira, 29 de julho de 2010

HUMANIZAÇAO DO PARTO SEMPRE.


O que é parto humanizado

Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo "Parto humanizado" não pode ser entendido como um "tipo de parto", onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto.

Acredito que estamos a caminho de tornar cada vez mais humano este processo, isto é, tornar cada vez mais consciente a importância de um processo que para a humanidade sempre foi instintivo e natural e que por algumas décadas tentamos interfirir mecanicamente, ao hospitalizarmos o nascimento e querer enquadrar e mecanizar em um formato único as mulheres e o evento parto.

O termo “humanização” carrega em si interpretações diversas. A qualidade de “humano” em nossa cultura quase sempre se refere à idéia arraigada na moral cristã de ser bom, dócil, empático, amável e de ajudar o próximo. Nesse contexto, retirar a mulher de seu “sofrimento” e “acelerar” o parto através de medicações e de manobras técnicas ou cirúrgicas e é uma tarefa nobre da medicina obstétrica e assim vem sendo cumprida.

Mas há um porém neste tipo de intervenção. Um olhar mais atento na prática atual da assistência ao parto revela uma enorme contradição entre as intervenções técnicas ou cirúrgicas e as suas conseqüências no processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional da mãe e do bebê. Um olhar ainda mais atento nos processos culturais, emocionais, psíquicos e espirituais envolvidos no parto revelam novos e norteadores horizontes, tal qual a importância, para mãe e filho, de vivenciar integralmente a experiência do parto natural.

A qualidade de humano que se quer aqui revelar envolve os processos inerentes ao ser humano, os processos pertinentes ao ciclo vital e a gama de sentimentos e transformações que a acompanham. O processo de nascimento, as passagens para a vida adolescente e adulta, a vivência da gravidez, do parto, da maternidade, da dor, da morte e da separação são experiências que inevitavelmente acompanham a existência humana e por isso devem ser consideradas e respeitadas no desenrolar de um evento natural e completo como é o parto. Muitas e muitas mulheres ao relatarem seus partos via cesariana mostram a frustração de não terem parido naturalmente, com as próprias forças, os seus filhos. Querem e precisam vivenciar o nascimento de seus filhos de forma ativa, participativa, inteira. Viver os processos naturais e humanos por inteiro muitas vezes envolve dor, incômodo, conflito, medo. Mas são estes mesmo os “portais” para a transição, para o crescimento, para o desenvolvimento e amadurecimento humano.

A humanização proposta pela ‘humanização do parto’ entende a gestação e o parto como eventos fisiológicos perfeitos (onde apenas 15 a 20% das gestantes apresentam adoecimento neste período necessitando cuidados especiais), cabendo a obstetrícia apenas acompanhar o processo e não interferir buscando ‘aperfeiçoá-lo’.

Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.

HUMANIZAR SEMPRE.


Humanização do parto e do nascimento
| 24.5.2003 | 03h25O nascimento deve ser visto como processo e não apenas como um simples evento que ocorre com a mulher. Sendo esse processo compreendido desde a pré-concepção até o puerpério, em que as pessoas que estão vivenciando influenciam e são influenciadas pelo contexto sociocultural.

O cuidado prestado à mulher/parturiente, ao longo dos anos, sofreu muitas modificações decorrentes dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento da medicina fetal. Essas mudanças, por um lado, correspondem na melhoria das condições do parto, e por outro, na desumanização do nascimento. No passado, o parto acontecia no domicílio e era feito por parteiras, mulheres de confiança das gestantes e de reconhecida experiência na comunidade por seu saber empírico. Além dos cuidados físicos somava-se o apoio psicológico, através de palavras agradáveis e ações que as confortavam.

A participação dos médicos na obstetrícia iniciou, com o uso de fórceps, no final do século XVI, já no Brasil essa prática se deu após a Segunda Guerra Mundial, quando os médicos adquiriram novos conhecimentos e habilidades, ampliando, então, as possibilidades de intervenção durante o período do parto.

Com esses avanços, o parto se tornou, para algumas pessoas, um evento médico, esquecendo-se que esse acontecimento é essencialmente um símbolo de vida, cheio de surpresas, emoções e prazer, onde a parturiente deve ser agente ativa, retomando para si o ato de parir.

Atualmente, está-se ouvindo muito falar em humanização da assistência obstétrica, sendo realizados debates, cursos e também programas de educação e treinamento da mulher para o parto; no entanto, é preciso se saber o real significado da palavra humanizar, que para Ferreira (1986) significa 'tornar humano; tornar benévolo; afável; tratável; fazer adquirir hábitos sociais... Mas, para que isso aconteça é necessário acabar com a onipotência de um profissional; rever e mudar a forma de como se relacionar com a mulher/parturiente e a família, aprender a compartilhar conhecimentos e realizar um trabalho multiprofissional e interdisciplinar, respeitando as diferenças de crenças, socioculturais, religiosas de cada mulher, e entender que isso deve ser iniciado no pré-natal, para que elas se sintam acolhidas, e que sejam valorizadas suas queixas, medos e dúvidas. Sendo, então, este um momento primordial de fortalecimento do potencial da mulher para conduzir esse processo de forma natural, não esquecendo que existe, não apenas uma grávida, mas sim uma família inteira que precisa de atenção e orientação por parte da equipe de saúde.

A humanização do parto e nascimento passou a ser uma premissa para algumas instituições de saúde e para alguns profissionais, que passaram a ver a mulher/parturiente como sujeito principal na gestação, no parto, no puerpério e nos cuidados com o recém-nascido, excluindo rotinas obstétricas ineficazes e valorizando a mulher como condutora do parto, atendendo-a em todas das dimensões e valorizando os aspectos essenciais do ser humano.

A partir do momento que a mulher é internada na maternidade, ela passa a não ter mais controle da situação, tudo se torna imprevisível e não familiar, e é nesse momento que a equipe tem que se aproximar, valorizando a singularidade daquele momento, identificando-se e passando a interagir, dando atenção, orientação e estando junto, promovendo segurança e confiança e compartilhando aquele momento com a parturiente.

Existem profissionais que estão em busca de ações humanizadas e que vêem o parto como uma experiência fundamental, profunda e marcante na vida da mulher, e que, para que transcorra de uma maneira positiva para elas, estão deixando o modelo tradicional de atendimento e estão adotando uma nova filosofia, que estimula a participação do acompanhante durante os períodos clínicos do parto, desde a avaliação inicial da gestante até a alta hospitalar, que permite que a mulher escolha os tipos de parto normal (vertical ou horizontal), proporcionando um ambiente tranqüilo e confortável e que favoreçam a favoreça permanência contínua do recém-nascido junto à mãe, desde o momento da expulsão.

Humanizar a assistência implica, primeiramente, em humanizar os profissionais de saúde e para isso os cursos, palestras não adiantam, tem que ocorrer mudanças na atitude, na filosofia de vida, na percepção de si e de seus semelhantes como seres humanos, em que a informação, a decisão e a responsabilidade deverão ser compartilhadas entre o cliente e o profissional de saúde.

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PARTO HUMANIZADO,
por Marilia Largura


A Assistência ao Parto no Brasil, Marília Largura

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BIBLIOGRAFIA.


BIBLIOGRAFIA

SAccoucher Autrement, Repères historiques, sociaux et culturels de la grossesse et de l'accouchement au Québec. Sous la direction de Francine Saillant e Michel O'Neill.

Editions Saint-Martin, Montreal Canadá, 1987.

Bíblia Sagrada

Dimenstein, Gilberto: Médicos ensinam a matar bebês - Folha de São Paulo, 16 de junho de 1996.

História das Mulheres - vol. 2. Perrot - Michelle, Editora Afrontamento - Porto, 1990.
Jornal Folha de São Paulo

L'Arbre et le fruit. La naissance dans l'Occident moderne (XVIe - XIXsiècle) Gélis, Jacques. Editora Fayard - Paris, 1984.

O Mistério de Guadalupe, Anson Francisco. São Paulo: Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais.

Obstetrícia Normal Briquet - 3a ed. rev. e atualizada - Domingos Delascio, Antônio Guariento, São Paulo: SARVIER, 1981.

Se me contassem o parto. Leboyer, Fréderick. São Paulo, Ground, 1988.

Une Naissance hereuse - Brabant, Isabelle. Editions Saint Martin, Montreal, Canadá, 1991.


EPÍLOGO

Se o nascimento é o espelho da cultura de um povo, já estamos na hora de sentar juntos e repensar a assistência que, como sociedade, prestamos à mulher no ciclo grávido puerperal.

Mudanças profundas se fazem necessárias.
A mulher deve ser conscientizada do que realmente é melhor para ela e seu filho. Que o "fantasma" da dor de parto pode ser atenuado, e muito, com uma assistência cuidadosa.

Que novos profissionais nessa área devem ser formados, incentivados e apoiados a fim de aumentar o contingente de agentes que assistem o parto.

Que as escolas de medicina e enfermagem, através de seus professores, valorizem o parto natural e ensinem os alunos a valorizá-lo.

Que os hospitais deixem as portas abertas a parturientes que ali chegam pedindo auxílio e assistência.

Que um membro da família possa entrar junto com ela na sala de parto para, de certa forma, amenizar o sentimento de solidão que a envolve nesses ambientes estranhos e muitas vezes hostis.

Com essas medidas estaremos formando na base um povo mais sadio, mais forte, mais cônscio dos seus direitos de cidadania, porque muito mais amado.


PROFISSIONAIS........SEMPRE EM CONFIANÇA.


ESCOLAS DE MEDICINA E ENFERMAGEM
No decorrer dos seus cursos de formação, os alunos raramente têm a oportunidade de acompanhar individualmente a mulher durante toda a gestação, o trabalho de parto e seguir a evolução logo após o nascimento, completando com a instalação segura da lactação.

Essa prática possibilita um conhecimento mútuo entre o profissional e a mulher, estreitando os laços de confiança e de estima. Permite também reforçar seus conhecimentos porque pode constatar na prática se as condutas adotadas foram positivas ou negativas.


O estabelecimento do aleitamento materno que ocorre nas primeiras semanas é fundamental para a vida do bebê.

O aluno de medicina é incentivado a aprender a técnica da cesariana. É normal que o médico obstetra intervenha, pois a intervenção está na essência da sua formação como médico, o que não acontece com a parteira muito mais habituada a acompanhar os partos normais e por isso mesmo muito mais paciente. Esta atitude de "estar ao lado" contribui muito para evitar complicações.

Pode-se dizer, que hoje, no Brasil, o número de profissionais que acompanham um parto natural é bem inferior ao daqueles que sabem operar.


A ciência do parto natural é dominada por poucos, muito poucos.

Numa ciência com mais exceções do que regras cada parto é único como cada mulher é única.

OS SONS

OS SONS:
se dar a liberdade de emitir sons durante o trabalho é um excelente exemplo de uma resposta à dor que transforma a experiência. As mulheres que se exprimem através de sons durante suas contrações apresentam freqüentemente mais facilidade de vivê-las. Ninguém é obrigado a gemer, mas aquelas que sentem essa necessidade, e gemem, encontram nesse ato um canal de expressão importante. Emitir sons auxilia o corpo a produzir seus próprios remédios contra a dor, as endorfinas, que também são produzidas quando entram em jogo, outros fatores como: a penumbra, o emprego de um mínimo de palavras, o cochicho e o contato com a água.

TOCAR:
tocar é uma maneira extraordinária de auxiliar uma mulher durante o trabalho de parto. Um tocar consciente, atento e presente, que deve corresponder de uma maneira sutil às sensações da parturiente. As massagens na região sacra às vezes proporcionam grande alívio.

A RESPIRAÇÃO:
a respiração muda e se adapta espontaneamente ao longo do trabalho de parto. Deixando-a livre, fluída, espontânea, cada músculo do nosso corpo recebe o oxigênio que ele necessita para relaxar por sua vez. A Yoga e todos os métodos que visam tornar a respiração mais consciente, mais plena, mais vivificante constituem excelentes preparações para o parto e também para outras ocasiões da vida nas quais a mãe necessitará de todas as suas energias para recuperar a sua calma.

O MOVIMENTO:
a liberdade de se movimentar é essencial. Andar, se embalar, mexer os quadris em movimento de rotação, se sentar, se deitar, levantar-se quando quiser são direitos fundamentais em todos os tempos e principalmente quando em trabalho de parto. Somente indicações médicas muito sérias poderiam justificar a limitação do movimento.

O REPOUSO:
quando se fala da dor do parto esquecemos de enfatizar que, durante o trabalho de parto, passamos uma parte do tempo sem sentir dor. O corpo se preparou para um grande trabalho mas ele também previu pausas. O maior número de contrações dura um minuto, mas os intervalos de repouso duram de dois a cinco minutos. Cada intervalo deveria ser um momento de repouso infinito, de regeneração profunda.

A RESISTÊNCIA DO MEIO
É preciso que as mulheres tenham uma resposta espontânea às fortes sensações do trabalho. Este imenso trabalho de adaptação não pode ser feito no interior de limites rígidos, quer seja ele de uma técnica particular, ou seja do meio ou do medo dos outros. A organização da obstetrícia foi feita em torno de objetivos outros que os de auxiliar uma mulher em sua capacidade de dar a vida. Pertence a nós retomar esse objetivo e o realizar.

As condições nas quais um parto se desenvolve tem uma relação direta com a maneira pela qual as mulheres vivenciam a dor.
Cada meio de suporte nomeado anteriormente encontra uma resistência na forma pela qual o sistema médico de assistência concebe a conduta técnica durante o trabalho de parto. Ensina-se as mulheres a se calarem, porque confundimos relaxamento com silêncio, gemidos com pânico.

Os sons que as mulheres produzem quando estão dando à luz se assemelham muito àqueles produzidos durante a relação sexual, o que talvez explique o mal-estar de alguns e sua preferência por mulheres silenciosas ... que somente fazem a sua respiração.
Encorajamos as mulheres a andar durante o trabalho, mas o parto é ainda caracterizado pela imobilidade e uniformidade de posição, muito mais que o movimento e a liberdade de escolher uma posição que convém a cada momento do parto.

CONTATO HUMANO
As mulheres que dão à luz sentem necessidade de uma companhia amiga, calorosa, humana e familiar. Foi demonstrado claramente e por muitas vezes que a presença contínua de uma parteira durante o trabalho de parto diminui a necessidade de medicamentos que combatem a dor. Quantas mulheres se lembram durante toda a sua vida do carinho da sua parteira que permaneceu ao seu lado durante todo o trabalho de parto? E a presença amorosa de seu homem?

A MELHOR FORMA DE SAIR DA DOR É ENTRAR NELA
Todas as células do nosso corpo possuem os elementos genéticos que as dirigem desde o encontro do óvulo com o espermatozóide, como desenvolver um embrião, assegurar sua sobrevivência, sua evolução e permitir o nascimento do bebê nove meses mais tarde. Cada fase do trabalho está escrita em todo o corpo.

A dor tem o papel de um sinal, testemunha de um importante trabalho em desenvolvimento, anunciando a iminência do nascimento e a necessidade de intimidade, assistência e proteção.
A alguém que exclamava diante dela como seu parto devia ter sido insuportável e imensamente doloroso, um bebê de 4.500 gramas. A mãe respondeu com um doce sorriso: "Não são os quilos que fazem mal, é a resistência".