quinta-feira, 29 de julho de 2010

NA SIMPLICIDADE O PARTO.......RESULTADO...AMOR.

Resgatando o Parto


Acreditamos que humanizar o nascimento é adequá-lo a cada mãe, a cada pai, ou seja, à família envolvida em cada nascimento. A técnica não pode tornar-se mais importante do que as pessoas envolvidas!

O parto hoje tornou-se assunto exclusivamente médico, especialmente no Brasil onde as taxas de cesárea estão entre as mais altas no mundo, chegando à mais de 80% em alguns hospitais! Por isto falamos em resgatar o parto como um processo fisiológico normal da mulher. É neste sentido que o parto é nosso, devendo tornar-se evento médico somente quando a intervenção é realmente necessária. Veja em breve quais são as intervenções mais comuns.

As evidências científicas mostram que o fator determinante para uma boa experiência de parto é o quanto a mulher sentiu-se protagonista do evento, ou seja, qual o nível de controle que ela percebeu ter sobre o processo; o grau em que sua opinião foi ouvida; o nível de informação que lhe foi dada durante os procedimentos e se seu consentimento (para os procedimentos) foi percebido como sendo dado. Podemos resumir dizendo que a mulher tem necessidade de ser tratada como sujeito ativo e participante de todo o processo e não como mero objeto.

Como fazer para tornar-se protagonista de seu parto, do nascimento de seu filho, momento mobilizador de tantas emoções e carregado de tanto significado? Necessitamos tanto de informação quanto de apoio, daí a importância de se fazer uma boa preparação para o parto! Mas para quê nos preparar se o processo todo é tão normal? Justamente porque vivemos numa sociedade e numa cultura onde o parto não é mais visto como um processo normal - nós duvidamos da nossa capacidade de dar à luz!

Temos que conhecer as opções de parto, nos familiarizar com os procedimentos mais comuns, para poder decidir o que é que queremos para nós.... Veja a seguir alguns dos pontos mais importantes que devem ser levados em conta na hora de se pensar sobre o parto.


Onde ter o bebê?

Quando nos perguntam onde nosso filho vai nascer, em geral a resposta é uma só: “no hospital, é lógico!!”. Mas existem sim outras opções, ainda pouco difundidas no Brasil, onde o parto é mais facilmente tratado como processo fisiológico normal:
- casa de parto
- em domicílio
O ambiente do parto é muito importante e pode tanto ajudar quanto atrapalhar. O ambiente que mais propicia um bom desenrolar do parto, é aquele silencioso, tranquilo, com pouca luz. A mulher deve escolher o ambiente onde ela se sinta mais segura, mais confiante e mais protegida. É nesse espaço que a mulher vai ter possibilidade de entrar em contato com seu corpo e fazer aquilo que este lhe pede.
Saiba mais sobre as vantagens e desvantagens de cada local.

Com quem?

Quem vai prestar assistência ao parto? No Brasil, tradicionalmente é o médico obstetra. É importante saber que as enfermeiras obstetras também são capacitadas a fazer parto normal e, em alguns hospitais, já têm exercido esta função! Existem, ainda, especialmente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos, as parteiras tradicionais. Cada profissional tem sua particularidade. A formação da enfermeira obstetra dá mais ênfase ao parto como processo fisiológico normal do que a formação médica que se baseia justamente em saber tratar e diagnosticar possíveis complicações.
Queremos aos poucos formar uma rede de profissionais comprometidos com o parto normal humanizado, seguindo as recomendações da OMS. Veja aqui algumas indicações.


“Tipos” de parto

Já descrevemos os dois tipos de parto mais realizados no Brasil: a cesárea e o parto normal hospitalar em que a mulher fica deitada... (Veja em: O Parto Hoje)
Do ponto de vista fisiológico, as posições verticais (de cócoras, de quatro, sentada etc.) são as que mais favorecem a descida do bebê e conseqüentemente, um parto tranqüilo, sem intervenções (Veja recomendações da Organizaçao Mundial da Saúde).
Apesar de todo o respaldo científico, são poucos os profissionais que “permitem” que a mulher assuma a posição que quiser na hora do parto, uma prática já difundida em países como Japão, Holanda, Inglaterra e Suécia, por exemplo.
O parto será mais satisfatório para a mulher se ela puder ser livre para fazer e agir conforme suas necessidades.


A Doula (Acompanhante de Parto)

É uma nova profissional do parto que está surgindo...tem uma importância fundamental na assistência ao parto. Sua missão é prestar apoio físico e emocional à mulher que está parindo, ajudando-a a lidar com o trabalho de parto. Pesquisas mostram que o parto em que uma doula está presente tende a ser mais rápido e necessitar de menos intervenções médicas. Saiba mais aqui.

Plano de parto

É principalmente um instrumento que ajuda a mulher a se informar sobre os procedimentos mais comuns adotados na hora do parto, para que possa refletir e decidir, com o apoio das evidências científicas, quais ela quer ou não quer. Saiba mais sobre o plano de parto.

Como se preparar?

Para se ter uma boa experiência de parto hoje, algum tipo de preparação ou reflexão é fundamental. Escolhas e decisões têm de ser feitas: quem vai me assistir?, qual o local?, que tipo de parto eu estou querendo?
Qualquer opção que fuja da norma, ou seja da tradicional cesariana ou do parto normal com intervenções, terá que ser mais bem preparada ainda....
O parto ativo é instintivo e natural. Hoje em dia são poucas as mulheres em contato com este lado instintivo. Precisamos nos conscientizar dos nossos corpos para redescobrir estes instintos.
Fazer algum tipo de exercício, ler, praticar yoga ajuda muito.
Descobrir e enfrentar seus medos, suas fantasias, participar de um grupo de discussão com outras grávidas; tudo isto é fundamental! Conheça alguns profissionais que indicamos.

Andrea A. Prado
Amigas do Parto

ENTENDENDO MAIS SEUS DIREITOS.

O Parto Hoje
Condutas Hospitalares

CONDUTAS HOSPITALARES

Você sente os primeiros sinais de trabalho de parto, liga para o médico e ele pede para que você o encontre na maternidade. Lá chegando você é examinada por uma enfermeira obstetriz, que avalia o estágio em que você se encontra, faz o exame de toque, faz algumas perguntas sobre o trabalho de parto e suas condições de saúde. Geralmente o médico já está a caminho e você será admitida, depois de preencher a ficha na recepção.

Você é levada a uma sala onde deve tirar toda a sua roupa, óculos, lentes de contato, brincos, roupa de baixo, fivelas, enfim, tudo o que estiver usando. Deve vestir um camisolão hospitalar aberto atrás, sem calcinha, um par de meias hospitalares e touca. Suas roupas são colocadas numa sacola que recebe uma etiqueta com seu número e é levada ao quarto onde você ficará internada após o parto.

Você é levada à sala de pré parto ou à suíte de parto, onde a enfermeira faz a raspagem dos seu pêlos pubianos e eventualmente aplica uma lavagem intestinal, dependendo do protocolo daquele hospital. Nessa hora alguns hospitais permitem que seu marido volte a ficar com você, se houve prévia autorização do obstetra por escrito.

Você passa então para a sala de monitoração fetal. É colocada deitada de costas com uma cinta amarrada à barriga, com dois "receptores" que medirão suas contrações e os batimentos cardíacos do bebê durante aproximadamente meia hora. O aparelho solta uma fita impressa com as curvas. Essa fita será lida pelo obstetra para ele avaliar se o bebê está bem.

De volta à sala de pré parto ou suíte de parto, a enfermeira instala um soro, geralmente num vaso da mão, para o caso de você precisar de um medicamento rapidamente ou de aceleração das contrações com hormônio sintético. Depois disso as horas se passarão entre aquelas quatro paredes. De vez em quando entrará uma enfermeira, ou seu médico, ou uma obstetriz, ou todos, perguntando se você está bem, fazendo eventuais exames de toque, monitorando a pressão arterial e os batimentos cardíacos do bebê. Se você estiver em uma suíte de parto, poderá tomar banho, se quiser.

Como regra, não é permitido que você beba água nesse período ou mesmo que leve objetos pessoais, aparelho portátil de CD, almofadas, bolsa de água quente, ou qualquer outra coisa que você tenha imaginado usar em seu trabalho de parto, por não serem objetos esterilizados. Algumas maternidades particulares permitem o uso de alguns objetos, desde que anteriormente especificado por escrito, pelo obstetra, na carta de internação.

Quando o trabalho de parto estiver avançado, e chegar a hora do parto propriamente dito, você será levada ao centro cirúrgico, de maca, e transferida para uma mesa de parto. Elas permitem que seu tronco seja ligeiramente elevado e que a extremidade seja rebaixada para que a região do quadril fique livre. Ao lado da mesa tem os estribos onde suas pernas ficarão apoiadas e um par de "remos" que você deverá segurar para fazer força.

Sobre a mesa de parto, as luzes especiais para focar a região entre as pernas (parto normal) ou a região da barriga (cesárea). Por toda a volta, você verá equipamentos variados para todo tipo de urgência médica. Isto inclui balão de oxigênio, aparelho de choque elétrico, carrinho de ressuscitamento, aspirador ou "vácuo", coluna de gases. Tem também uma mesa de instrumentos cirúrgicos e outra com material anestésico.

Você receberá então uma anestesia peridural, para que não sinta mais dor durante as contrações. Muito provavelmente o obstetra fará um corte no períneo (região entre a vagina e o ânus) que aumenta a abertura do canal do parto. Esse corte se chama episiotomia. As enfermeiras então darão as instruções de quando e como você deve respirar e fazer força, até que o bebê nasça. Eventualmente alguém da equipe empurrará sua barriga de cima para baixo, para forçar o bebê pelo canal de parto. Essa é a chamada "Manobra de Cristeler".

Logo que nasce, o bebê tem as vias aéreas succionadas com umas cânulas especiais, é embrulhado em panos estéreis e mostrado a você. Em seguida é levado à sala anexa, onde o pediatra neonatologista vai avaliar, pesar e medir, como parte dos protocolos de recepção dos recém nascidos. Enquanto isso você estará na fase final do parto, onde ocorre a eliminação da placenta e receberá os pontos da episiotomia.

Depois disso você passará algum tempo na sala de recuperação e em seguida irá para o quarto definitivo. Depois de algumas horas seu bebê será levado para a primeira mamada. Depois de dois ou três dias de internação, vocês receberão a alta hospitalar.

Ana Cris Duarte
Amigas do Parto

Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Atendimento ao Parto Normal

A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
C) Condutas freqüentemente utilizadas de forma inapropriadas
D) Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado


A) Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
  1. Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação, e comunicado a seu marido/ companheiro e, se aplicável, a sua família.
  2. Avaliar os fatores de risco da gravidez durante o cuidado pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto e parto.
  3. Monitorar o bem-estar físico e emocional da mulher ao longo do trabalho de parto e parto, assim como ao término do processo do nascimento.
  4. Oferecer líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto.
  5. Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações.
  6. Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
  7. Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
  8. Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto.
  9. Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
  10. Oferecer às mulheres todas as informações e explicações que desejarem.
  11. Não utilizar métodos invasivos nem métodos farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e parto e sim métodos como massagem e técnicas de relaxamento.
  12. Fazer monitorização fetal com ausculta intermitente.
  13. Usar materiais descartáveis ou realizar desinfeção apropriada de materiais reutilizáveis ao longo do trabalho de parto e parto.
  14. Usar luvas no exame vaginal, durante o nascimento do bebê e na dequitação da placenta.
  15. Liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto.
  16. Estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto.
  17. Monitorar cuidadosamente o progresso do trabalho do parto, por exemplo pelo uso do partograma da OMS.
  18. Utilizar ocitocina profilática na terceira fase do trabalho de parto em mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em consequência de uma pequena perda de sangue.
  19. Esterilizar adequadamente o corte do cordão.
  20. Prevenir hipotermia do bebê.
  21. Realizar precocemente contato pele a pele, entre mãe e filho, dando apoio ao início da amamentação na primeira hora do pós-parto, conforme diretrizes da OMS sobre o aleitamento materno.
  22. Examinar rotineiramente a placenta e as membranas.
B) Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
  1. Uso rotineiro de enema.
  2. Uso rotineiro de raspagem dos pelos púbicos.
  3. Infusão intravenosa rotineira em trabalho de parto.
  4. Inserção profilática rotineira de cânula intravenosa.
  5. Uso rotineiro da posição supina durante o trabalho de parto.
  6. Exame retal.
  7. Uso de pelvimetria radiográfica.
  8. Administração de ocitócicos a qualquer hora antes do parto de tal modo que o efeito delas não possa ser controlado.
  9. Uso rotineiro da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto e parto.
  10. Esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo.
  11. Massagens ou distensão do períneo durante o parto.
  12. Uso de tabletes orais de ergometrina na dequitação para prevenir ou controlar hemorragias.
  13. Uso rotineiro de ergometrina parenteral na dequitação.
  14. Lavagem rotineira do útero depois do parto.

  15. Revisão rotineira (exploração manual) do útero depois do parto.
C) Condutas freqüentemente utilizadas de forma inapropriadas
  1. Método não farmacológico de alívio da dor durante o trabalho de parto, como ervas, imersão em água e estimulação nervosa.
  2. Uso rotineiro de amniotomia precoce (romper a bolsa d’água) durante o início do trabalho de parto.
  3. Pressão no fundo uterino durante o trabalho de parto e parto.
  4. Manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto.
  5. Manipulação ativa do feto no momento de nascimento.
  6. Utilização de ocitocina rotineira, tração controlada do cordão ou combinação de ambas durante a dequitação.
  7. Clampeamento precoce do cordão umbilical.

  8. Estimulação do mamilo para aumentar contrações uterinas durante a dequitação.
D) Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado
  1. Restrição de comida e líquidos durante o trabalho de parto.
  2. Controle da dor por agentes sistêmicos.
  3. Controle da dor através de analgesia peridural.
  4. Monitoramento eletrônico fetal .
  5. Utilização de máscaras e aventais estéreis durante o atendimento ao parto.
  6. Exames vaginais freqüentes e repetidos especialmente por mais de um prestador de serviços.
  7. Correção da dinâmica com a utilização de ocitocina.
  8. Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto.
  9. Cateterização da bexiga.
  10. Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a própria mulher sinta o puxo involuntário.
  11. Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições maternas e do feto forem boas e se houver progresso do trabalho de parto.
  12. Parto operatório (cesariana).
  13. Uso liberal ou rotineiro de episiotomia.

  14. Exploração manual do útero depois do parto.


Essa tabela de recomendações é a "parte 5" do
Manual de Parto Humanizado do Projeto Luz - JICA


PLANO DE PARTO CONTINUAÇAO

Plano de Parto (parte 3)

1) O que é
2) Porque Fazer

3) Escrevendo o Plano de Parto
4) Exemplo de Plano de Parto


Condutas e procedimentos médicos
- durante o trabalho de parto
- durante o parto em si
- no pós-parto
- em caso de cesárea

DURANTE O TRABALHO DE PARTO
Você Quer? Explicação
1) Presença de um acompanhante de sua escolha durante todo o parto, da admissão ao nascimento. Elimina o estresse da separação. Seu parceiro pode provê-la com suporte emocional durante o trabalho de parto e durante todos os procedimentos necessários. A presença do pai propicia a formação dos laços familiares com o novo membro que vai nascer. É direito garantido por lei federal.
2) Presença de outras pessoas da família ou amigos durante o trabalho de parto e parto. A presença de outras pessoas da família ou amigos pode significar mais apoio para você e seu parceiro. Não há aumento na incidência de infecções, desde que essas pessoas não apresentem sinais de doença (por exemplo, coriza ou diarréia)
3) Lavagem Intestinal (Enema, Fleet-Enema, Enteroclisma). A lavagem intestinal é desconfortável e desnecessária se você teve funcionamento normal do intestino nas últimas 24h. No entanto, se você estiver constipada, poderá a qualquer momento solicitar uma aplicação.
4) Liberdade para caminhar. Caminhar estimula o útero a funcionar eficientemente. Os trabalhos de parto que incluem livre caminhar são mais curtos e menos propensos a receber medicamentos analgésicos.
5) Liberdade para mudar de posição. Sentar, deitar de lado, ajoelhar, acocorar, cada posição pode funcionar melhor ou ser mais confortável em diferentes momentos do trabalho de parto.
6) Uso da água no trabalho de parto. Passar parte(s) do trabalho de parto sob o chuveiro ou imersa numa banheira diminui a necessidade de medicamentos para dor.
7) Bebidas e alimentos com alto teor de carboidratos e pouca gordura à vontade. Alimentos ricos em carboidratos e pobres em gordura permitem digestão rápida e suprimento energético necessário durante o trabalho de parto. Líquidos previnem a desidratação.
8) Água e bebidas leves. Você pode ficar com a sensação de boca seca por causa das técnicas de respiração.
9) Objetos pessoais (camisola pessoal, música, flores). Objetos familiares podem melhorar a experiência do parto ao permitir um melhor relaxamento e mais conforto.
10) Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) apenas se desejado. A raspagem dos pelos não diminui a incidência de infecções e o crescimento no período de pós-parto pode ser bastante desconfortável.
11) Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica. A infusão intravenosa restringe a mobilidade e interfere no relaxamento. A ingestão de líquidos leves no trabalho de parto reduz a chance de desidratação. As hemorragias em partos espontâneos e não medicamentosos são muito raras para justificar o uso de infusão preventiva.
12) Monitoramento fetal eletrônico apenas se houver indicação médica. Em parturientes de baixo risco, a auscultação intermitente dos batimentos cardíacos fetais por uma enfermeira ou parteira treinada demonstrou ser tão efetivo quanto o uso do monitoramento fetal eletrônico. Além disso, o aparelho restringe o movimento, podendo ser também bastante incômodo. Geralmente as mulheres são instruídas a deitar de costas, posição que pode ser muito desconfortável e ter ação negativa sobre o trabalho de parto e o bebê. O uso intermitente do monitor pode ser uma alternativa.
13) Rompimento espontâneo da bolsa das águas. O líquido amniótico contido na bolsa tem um efeito de proteção, equalizando a pressão sobre o bebê, o que resulta em menos pressão na cabeça. O rompimento artificial das membranas aumenta as chances de infecção e cria um limite de tempo para o parto, além de resultar em contrações geralmente mais dolorosas.
14) Medicação para alívio da dor administrada apenas quando solicitado por você e com informações completas sobre possíveis efeitos sobre você, o bebê e o trabalho de parto. Todo e qualquer medicamento tem um efeito potencial que pode afetar você, seu bebê e seu trabalho de parto. Saber de antemão os benefícios e riscos dos medicamentos usados pelo médico permitem que você faça escolhas conscientes.
15) Presença de acompanhante de parto profissional para suporte contínuo (massagista, fisioterapeuta, doula, enfermeira ou obstetriz sem vínculo com o hospital). Um profissional experiente, que tenha um comprometimento com você em relação ao tipo de parto que você deseja, pode oferecer importantes informações adicionais. A presença de uma doula pode reduzir suas chances de ter uma cesárea em até 50%, tornar o trabalho de parto mais curto, fazer o uso de ocitocina menos necessário, reduzir a necessidade de anestesia e de uso do forceps. Uma massagista ou terapeuta corporal pode utilizar técnicas de alívio dos desconfortos do parto.
16) Ocitocina ou drogas de efeito similar para indução ou aceleração do trabalho de parto apenas sob necessidade médica. As contrações induzidas por ocitocina são mais difíceis de serem suportadas do que as contrações naturais, tanto para você como para o bebê. Os riscos do parto induzido incluem restrição do suprimento de oxigênio do bebê e parto prematuro. As complicações decorrentes do uso de ocitocina podem aumentar as chances de uma cesárea ser necessária.
17) Uso de suíte de parto ou a mesma sala/quarto para o trabalho de parto e parto. Isso evita que você seja transferida às pressas, geralmente deitada de costas numa maca, da sala de pré-parto para a sala de parto, durante a fase de expulsão. Muitos hospitais já oferecem as “suítes de parto” ou “LDR (Labor and Delivery Room)” onde a parturiente fica durante todo o trabalho de parto, parto e recuperação. O uso do apartamento fora do centro obstétrico para o parto normal de baixo risco, sem intervenções, também é uma excelente opção.
DURANTE O PARTO EM SI
Você Quer? Explicação
1) Posição para expulsão confortável (para você) e eficiente. A posição semi-reclinada (quase sentada), deitada sobre o lado esquerdo, de joelhos ou cócoras pode ser bem mais confortável do que ficar deitada de costas. Deitar de costas comprime o cóccix, diminui o diâmetro da pélvis, pode ser desconfortável e faz o útero pesar sobre artérias importantes, impedindo um bom fluxo sanguíneo. Acocorar-se faz diminuir o comprimento do canal de parto, aumenta a abertura da pélvis, e faz as contrações serem mais eficientes, já que o trabalho está sendo auxiliado pela gravidade.
2) Não usar estribos ou perneiras. A posição de litotomia, na qual você se deita de costas e coloca os pés nos estribos ou perneiras, faz com que o parto seja um esforço contra a gravidade e força você a empurrar o bebê para cima. Estribos abertos, embora dêem ao médico uma excelente visão do campo de trabalho, fazem o períneo esticar demasiadamente, aumentando as chances de laceração.
3) Episiotomia apenas se for necessário. Ao permitir que a cabeça do bebê emerja vagarosamente, apenas sob as forças uterinas, o períneo tem maiores chances de distensão, o que minimiza as chances de lacerações. A recuperação da episiotomia pode ser bastante desconfortável. A cicatriz muscular pode afetar posteriormente o prazer sexual. A episiotomia diminui o período expulsivo, podendo ser necessária em caso de sofrimento fetal ou se for preciso o uso do fórceps. Muitos profissionais de saúde fazem a episiotomia rotineiramente, independente de ser necessária, o que não tem qualquer justificativa aceitável.
4) Anestesia peridural ou raquidiana apenas se for necessária alguma intervenção cirúrgica ou a pedido materno. A anestesia é desnecessária na maioria dos partos sem complicações, sem o uso de ocitocina e com liberdade de posição. No caso de uma episiotomia, um anestésico local pode ser aplicado na hora.
5) Nascimento suave (Parto Leboyer). O nascimento Leboyer é uma atitude, mais que um procedimento. Diminui o trauma sensorial e físico do bebê na hora no nascimento.
6) Clampeamento do cordão apenas depois que parar de pulsar. O clampeamento tardio permite que o bebê continue recebendo oxigênio pelo cordão umbilical enquanto o sistema respiratório começa a funcionar. Diminui o risco de anemia em bebês até 6 meses.
7) O Pai corta o cordão umbilical. Aumenta a participação do pai no nascimento.
8) Bebê colocado imediatamente no seu colo (ou sobre a barriga ou nos seus braços). O contato imediato pele-a-pele é benéfico. Se mãe e bebê forem cobertos com uma manta, a temperatura do bebê é mantida.
9) Bebê amamentado assim que possível. A sucção do bebê estimula a produção materna de ocitocina, que induz o delivramento da placenta e reduz o sangramento pós-parto. O reflexo de sucção do bebê é mais forte nas primeiras horas após o nascimento. O colostro age como um laxativo, limpando o trato intestinal do bebê do muco e do mecônio.
10) Antibiótico oftálmico ou nitrato de prata apenas depois do período de formação do vínculo (primeiras horas após o parto). Esses produtos interferem na visão do bebê, que é muito importante durante o período de vínculo, logo após o parto. Caso a mãe não seja portadora de gonorréia, o nitrato de prata não tem qualquer utilidade e pode provocar conjuntivite química no recém-nascido.
11) Placenta expulsa espontaneamente da parede do útero. Tração ou massagem pode fazer com que parte do tecido placentário permaneça no útero, podendo provocar infecção e hemorragia pós-parto.
12) Vínculo precoce mãe-bebê. As primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento da ligação afetiva entre os pais e o bebê. Eles não deveriam ser separados em nenhum momento.
13) Tirar fotografias ou filmar durante o parto. São formas maravilhosas de se lembrar desses momentos incríveis, desde que não atrapalhem a concentração da mãe ou impeçam o pai de participar ativamente no auxílio à sua companheira. Algumas mulheres sentem-se constrangidas, discuta a questão antes.
PÓS-PARTO
Você Quer? Explicação
1) Amamentar. Em termos nutricionais, o seu leite é o alimento perfeito para o seu bebê. A amamentação é uma experiência emocionalmente gratificante tanto para o bebê como para a mãe e é econômica. Ajuda o útero a contrair e voltar mais rapidamente ao tamanho normal.
2) Não deverá haver separação entre mãe e bebê a menos que haja indicação médica. O contato contínuo mãe-bebê favorece a formação do vínculo entre eles. Aumenta as oportunidades para a equipe de enfermagem oferecer instruções sobre os cuidados com o recém-nascido. Os primeiros banhos podem ser dados no quarto da mãe.
3) Não oferecer ao bebê água, leite em pó (fórmulas), chupeta ou bicos. O oferecimento de bicos e mamadeiras ao bebê pode provocar confusão, já que exigem uma ação diferente da língua, comparada à da amamentação natural. Se o bebê é alimentado no berçário entre as mamadas, ele não vai sugar adequadamente para o estímulo mamário da produção de leite.
4) Alojamento conjunto 24 horas. Permite contato íntimo entre pais e bebê, favorecendo a formação do vínculo. Você poderá amamentar sob livre demanda e aprender os primeiros cuidados com seu bebê ainda sob a supervisão das enfermeiras.
5) Pai deverá ficar no apartamento com mãe e bebê até a alta. Reforça os laços familiares. Permite que o pai participe dos cuidados com o bebê. A maioria dos hospitais particulares oferece a possibilidade do pai ficar alojado com a mãe no apartamento privado.
6) Visitação à vontade dos irmãos mais velhos. Ajuda as crianças mais velhas a perceberem que você está bem. Encoraja a aceitação do novo bebê pelos irmãos.
EM CASO DE CESÁREA
Você Quer? Explicação
1) Escolha de médico, anestesia e hospital “amigos da mulher”, que permitam uma cesárea centrada na família. Uma seleção cuidadosa da equipe poderá garantir a participação da família, mesmo no caso da cesárea, tornando o processo mais humanizado.
2) Participação de um acompanhante de sua escolha durante a cesárea. A presença de uma pessoa querida poderá prover segurança emocional durante esse processo tão delicado, além de estar garantido por lei federal.
3) Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea. O trabalho de parto é a indicação de que o bebê está pronto para nascer. Esperando pelo início do parto diminuem substancialmente as chances de seu bebê nascer prematuro, já que nenhum outro exame pode garantir que os pulmões do bebê estejam maduros.
4) Ser informada de cada procedimento associado à cesárea (testes, tricotomia, sonda urinária, etc). Saber passo a passo o que está acontecendo, permite que você fique mais relaxada e mais participante do processo.
5) Tricotomia parcial (do abdome até a altura do osso púbico). Diminui o desconforto quando os pelos começam a crescer novamente, sem aumento nas chances de infecção.
6) Uso de anestesia peridural/raquidiana (não utilização da anestesia geral). Permite que você esteja acordada no nascimento do bebê e facilita a interação. Exceto pelas emergências, geralmente há tempo suficiente para se aplicar uma anestesia regional.
7) Rebaixamento do protetor ou uso de espelho na hora do nascimento. Permite que mãe e pai assistam ao nascimento do bebê e sintam-se mais integrados à experiência de nascimento.
8) Amamentação tão logo seja possível, mesmo na mesa de cirurgia ou na sala de recuperação. Isso dá à mãe e ao bebê as mesmas vantagens do aleitamento precoce obtido nos partos vaginais.
9) Vínculo precoce mãe-bebê. Segurar e tocar o bebê pode reduzir a ansiedade dos pais, além de trazer os benefícios do vínculo precoce.
10) Sem o uso de sedativos pós-operatórios. Sedativos podem provocar amnésia materna e atrapalham a interação mãe-bebê. Ao invés de sedativos, prefira usar técnicas de relaxamento. Lembre o anestesista.
11) Alojamento conjunto com flexibilidade. Permite que você cuide do bebê de acordo com suas possibilidades. Melhora as condições para o estabelecimento dos laços mãe-bebê e da amamentação. Além disso o pai pode participar dos cuidados nos primeiros dias. No entanto um berçário deveria estar disponível para que a mãe possa se recuperar da cesariana em melhores condições.

Ana Cris Duarte

plano de parto- www.amigasdoparto.com.br


Plano de Parto

1) O que é
2) Porque Fazer
3) Escrevendo o Plano de Parto
4) Exemplo de Plano de Parto


O que é

O plano de parto é uma lista de itens relacionados ao parto, sobre os quais você pensou e refletiu. Isto inclui escolher onde você quer ter seu bebê, quem vai estar presente, quais são os procedimentos médicos que você aceita e quais você prefere evitar.

Nos EUA, onde começou a ser difundido, o plano funciona como uma carta, onde a gestante diz como prefere passar pelas diversas fases do trabalho de parto e como gostaria que seu bebê fosse cuidado após o nascimento.

No entanto, acreditamos que o maior valor do plano de parto é justamente propiciar uma maior reflexão e compreensão sobre o tipo de parto que você prefere. É um exercício que pode ajudá-la a definir aquilo que é importante para você, e com esta informação em mãos, fazer com que esteja mais bem preparada para conversar com seu médico. Não se trata, portanto, de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa.

Porque fazer

Os casais brasileiros estão percebendo cada vez mais que os médicos e profissionais da saúde bem-intencionados nem sempre têm respaldo científico que sustentem as práticas obstétricas comuns e que muitas dessas práticas são adotadas simplesmente por serem parte de uma tradição médico-hospitalar.

Nos últimos quarenta anos muitos procedimentos artificiais foram introduzidos, de modo a transformar o nascimento de evento fisiológico natural em um complicado procedimento médico no qual todo tipo de droga é usada, todo tipo de procedimento é aplicado, muitas vezes desnecessariamente e alguns dos quais potencialmente prejudiciais ao bebê e até à mãe.

Está cada vez mais claro que todos os aspectos dos cuidados médicos hospitalares tradicionais no Brasil devem ser revistos e questionados criteriosamente sob a luz do respaldo científico em relação aos possíveis efeitos sobre o bebê e a parturiente.

A gestante/parturiente tem o direito de participar das decisões que envolvem seu bem estar e o do bebê que ela está gestando, a menos que haja uma inequívoca emergência médica que impeça sua participação consciente. Ela tem o direito de saber exatamente os benefícios e prejuízos que cada procedimento, exame ou manobra médica pode provocar a ela e/ou ao seu bebê.

Todas essas informações devem ser fornecidas com base nas evidências científicas. Abaixo você poderá se inteirar das variáveis que acontecem no atendimento ao parto, sobre as quais você pode ter alguma influência. Ao lado de cada variável, procedimento ou atitude, segue uma explicação baseada em evidências científicas.

Esses detalhes podem fazer uma grande diferença para o seu parto, tornando-o uma experiência mais intensa e enriquecedora para toda a família. Analise-as com cuidado junto ao seu parceiro e explique ao seu médico o quanto elas são importantes para você.

Ana Cris Duarte

terça-feira, 27 de julho de 2010

Muito importante............vamos paparrrrrrrr.

Hábitos alimentares são formados no 1° ano de vida
É de grande importância que as crianças aprendam a comer de uma forma correta desde cedo uma vez que os hábitos alimentares são formados no primeiro ano de vida, dentro da família, e conservados na vida adulta. O ambiente familiar é, o início e talvez, o mais importante influenciador dos hábitos infantis.

Sendo assim, alimentação saudável nesta fase da vida tem papel fundamental e essencial para permitir um normal desenvolvimento e crescimento, uma vez que práticas alimentares inadequadas trarão conseqüências futuras sobre a saúde da criança, com o aparecimento de doenças, retardo no crescimento e atraso escolar.

Os cuidados com a criança no primeiro ano de vida são fundamentais, por ser esta uma fase em que ela se encontra extremamente vulnerável, tendo em vista o fenômeno do crescimento e a sua total dependência. Dentre as necessidades básicas para assegurar a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento adequado, a nutrição assume papel importante.

O processo nutritivo é, em conseqüência, involuntário e depende da seleção alimentar. Este processo é importante ao longo de toda a vida, particularmente em determinados períodos, como sejam a infância e a adolescência, a gravidez ou a terceira idade. A criança, por se encontrar em fase de crescimento, é extremamente dependente de uma alimentação saudável e, por isso, mais sensível às carências, desequilíbrios ou inadequação alimentar.

É no 1º ano de vida que a criança deve passa pelo peito da mãe, e nesse ato não é só o leite que se oferece ao bebê, são todos os nutrientes necessários, são todas as defesas que a criança necessita, é o momento especial. E para a mãe, amamentar ajuda voltar a seu peso anterior, favorece a contração uterina e previne hemorragias no pós-parto, diminui o risco de câncer de mama e de ovário e reforça o vínculo mãe-filho(a).

A Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde recomendam que o bebê deva ser alimentado exclusivamente com leite materno até 6 meses de vida. Somente a partir de 6 meses é que se deve começar a introdução de novos alimentos, mas sem abandonar a amamentação, que pode prosseguir até 2 anos de idade ou mais, se assim a mãe e a criança desejarem.

é considerado o alimento mais perfeito e completo da natureza e é a primeira e mais adequada forma de alimentar o recém-nascido. O leite humano, em virtude das suas propriedades antiinfecciosas, protege as crianças contra diferentes infecções desde os primeiros dias de vida.

Alimentos complementares são quaisquer alimentos nutritivos, sólidos ou líquidos, diferentes do leite humano, que possuem nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança. O termo “alimentos de desmame” deve ser evitado, pois pode dar a falsa impressão de que eles são usados para provocar o desmame e não para complementar o leite materno (Ministério da Saúde, 2002). Nessa fase todos os cuidados devem ser tomados para evitar que a criança rejeite prematuramente os sabores e as texturas dos novos alimentos. Deve ser um processo gradativo, permitindo que a criança se adapte a perda desse vínculo tão forte que é o aleitamento materno exclusivo.

Sob o ponto de vista nutricional, a complementação precoce é desvantajosa para a nutrição da criança, além de reduzir a duração do aleitamento materno e prejudicar a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como o ferro e o zinco. Outro fator que deve ser considerado na amamentação não exclusiva é o uso de mamadeiras para ofertar líquidos à criança. Essa prática pode ser prejudicial, uma vez que a mamadeira é uma importante fonte de contaminação, além de reduzir o tempo de sucção das mamas, interferindo na amamentação sob livre demanda, alterar a dinâmica oral e retardar o estabelecimento da lactação.

Erros mais comuns cometidos pelas mães

• Começar a amamentar o bebê e, no meio da mamada, passar para a outra mama, sem que a primeira tenha sido totalmente esvaziada;
• Acrescentar água ou chás antes dos seis meses;
• Bater a comida no liquidificador (risco maior de contaminação);
• Não deixar que a criança pegue na comida (é importante que ela reconheça a textura do que está comendo).

A obesidade na infância constitui importante fator de risco para a obesidade na fase adulta, aquela frase que muita gente usa “criança gordinha criança saudável Ainda se acredita que quanto mais come, mais forte o bebê fica, mais bonito, mais resistente".

Se a criança for adequadamente ensinada, nada lhe será proibido, ela terá acesso a tudo o que faz parte da sua infância, sem comprometer sua alimentação, nem seu peso, nem sua saúde, atual e principalmente futura.

10 PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL(MS /OPAS/OMS)

PASSO 1 – Dar somente leite materno até aos seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.

PASSO 2 – A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

PASSO 3 – A partir dos seis meses dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, frutas e legumes), três vezes ao dia se a criança receber leite materno e cinco vezes ao dia se estiver desmamada.

PASSO 4 – A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.

PASSO 5 – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher, começar com consistência pastosa (papas /purês) e gradativamente aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

PASSO 6 – Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.

PASSO 7 – Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

PASSO 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

PASSO 9 – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos, garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

PASSO 10 – Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

Algumas dicas para alimentação dos 6 meses a 1º ano de vida

. Oferecer um alimento por vez, evitando a mistura, para que a criança conheça a cor e o sabor de cada alimento. Quando oferecer mais de uma fruta ou legume na mesma refeição amassá-los e colocá-los no prato em porções separadas;

. Se a criança recusar um determinado alimento, oferecer novamente em outras refeições. São necessárias, em média, oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança;

. As papas devem ser introduzidas gradualmente, no horário correspondente ao lanche da tarde, completando-se a refeição com a amamentação.

. Inicie com uma colher de sopa e aumente gradualmente até no máximo quatro colheres de sopa cheias, dependendo da idade da criança. Procure amassar os alimentos (frutas, legumes e verduras) assim a criança terá contato com a textura, sabor e consistência dos alimentos.

. Deve ser iniciada a administração de frutas, sob a forma de sucos e/ou papas, sempre a colheradas. As frutas devem ser oferecidas ao natural, para preservarem o seu valor nutritivo.

. As frutas devem ser oferecidas sem açúcar e as sopas com pouco sal e gordura. As leguminosas (feijão, soja, grão-de-bico, lentilha e ervilha) devem ser adicionadas a papa a partir do sétimo mês.

. A clara de ovo só deve ser oferecida após dez meses de idade. Antes pode provocar alergia, a clara não deve ser ingerida porque tem albumina que é uma substância alergênica.

É importante que a família tenha o hábito de consumir todos os alimentos considerados saudáveis, para que a criança seja encorajada a consumí-los também.

Formar e manter hábitos alimentares adequados é responsabilidade de todos os envolvidos na educação infantil além da mãe, então encare com entusiasmo esta nova fase de desenvolvimento de uma criança, e estimule a sua entrada no "mundo da alimentação" de uma forma saudável.


Michele Oliveira de Lima
Nutricionista/CRN-6:5405
Especialista em Obesidade e Emagrecimento E-mail: michelelima.nutricionista@hotmail.com
Site: www.nutricionistamichelepb.blogspot.com



Gravidez: Coma bem para os dois
Uma alimentação saudável tem início antes mesmo do nascimento. A nutrição da mãe durante a gravidez tem muita influência sobre o bebê.

Coma bem para os dois

Nada de comer por dois . O correto é comer o suficiente para manter a mãe nutrida e o bebê abastecido de nutrientes para a sua formação.
Na verdade, é mais importante valorizar a qualidade do que a quantidade.
Seu dia deve ter de 5 a 6 refeições: desjejum, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia.


Desjejum: deve ser tomado, no máximo uma hora após acordar. Escolha frutas, cereais integrais, leite ou iogurte, queijo magro, geleia ou mel.

Lanche da manhã: faça até 3 horas após o desjejum. Pode ser um suco de frutas, um iogurte ou até mesmo uma fruta.

Almoço: é a principal refeição do dia e deve ser feita por volta das 12 horas, quando o organismo está ativo e preparado para receber uma quantidade maior de alimentos.

Escolha vegetais frescos, em saladas, sopas ou refogados. Inclua também 1 porção de cereal como arroz, milho, batata, aipim.

Outro item importante é o uso de uma leguminosa que fornece ferro e cálcio, são os feijões, lentilha, ervilha, grão de bico. Escolha uma porção de carne magra (3 x na semana), frango ou peixe (4 a 5 x semana), ovos e queijos que podem ser usados em preparações como suflês e tortas de legumes.

Não esqueça de colocar um pouco de azeite extravirgem na salada e acompanhe a refeição de um suco de frutas ou água.

Lanche: Esta é uma refeição de apoio e não deve servir para exageros ou alimentos muito ricos em gordura.

Escolha frutas, leite ou iogurte, cereais integrais como aveia, flocos de milho, biscoitos água e sal. Pode usar barrinha de cereais que são práticas e alimentam. Mas aqui é imprescindível o consumo de uma porção de laticínios (leite, queijo, iogurte, ricota) para suprir a necessidade de cálcio.

Jantar: esta refeição exige bastante cuidados porque no início da gravidez é possível que, tendo enjôo durante o dia, venha a acumular fome neste período. Já a partir do 6o mês de gravidez o que acontece é que a digestão está mais lenta, o que causa muito desconforto. Evite comer e deitar em seguida.

Qualquer imprudência cometida nesta refeição pode fazer com que sinta azia e enjôo pela manhã, formando assim um círculo vicioso.

Faça aqui uma refeição leve à base de sopas, saladas e grelhados ou até mesmo um lanche magro pode ser bastante nutritivo. Inclua vegetais e frutas.

Ceia: fazer esta refeição pode evitar muita fome pela manhã e ficar muito tempo sem comer (enjôos). Escolha uma fruta ou coloque aqui aquela porção de leite que ficou faltando durante o dia.


Fonte: Maribel - Nutricionista
www.maribel.com.br

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